escrevo em total desespero. me perdi há um tempo e agora percebo o quão difícil se torna a cada dia me encontrar. se ficar na cama dormindo por muito tanto tempo me deprime a ponto de não querer mais n.a.d.a., levantar dela me apavora a cada segundo passo que possa escolher. havia tantos sonhos enlouquecidos por voarem mundo afora acontecendo, havia metas a serem cumpridas com vontade e agora todos parecem assustadores demais. o medo e a falta de fé em mim toma conta de tudo que um dia ansiou por brilhar. não enxergo lugar seguro ou um gancho para alcançar. me sinto sendo soterrada e só vejo olhares fuzilantes esperando pela ação. não há quem compreenda a dificuldade desta batalha interna eterna, mas quem cobre que eu a vença simplesmente. me exaspera ter quem amo e preciso me pressionando sem notar, porém minha própria cobrança é ainda mais torturante do que um dia pude imaginar. e eu achando que com o tempo a vida fica mais leve...
é quando as coisas não saem como a gente planejou que a gente percebe que o importante está na chama do momento. não adianta programar, tudo pode acontecer. e nada também. planejei dançar na minha sexta-feira à noite com um monte de gente conhecida, porém distante e acabei a noite dentro de casa com mais três pessoas das que mais amo tomando a melhor bebida entre devaneios e teorias nada comuns. porque nõs não somos comuns. nós escolhemos ficar com pessoas que realmente importam a sair com gente estranha e se cansar logo. sabemos que se diverte muito mais assim, convivendo. e este só foi o final. antes aconteceu o pseudo-almoço com meu pai e o jantar perfeito (sim, perfeito) acompanhado do méxico e de pessoas realmente a sua vontade. houve o choro vespertino saído das entranhas e finalmente liberto por movimentos de dança-do-ventre. deixou de acontecer o encontro com ela e o harry, pois ele foi afastado de mim justamente neste dia. as lembranças vindas através de lindos recados preencheram os espaços quase vazios das minhas horas e surpreenderam, sempre. tudo na mais perfeita sintonia, juntando a agonia pela espera com a paz do concretizado. obrigada.
há em mim essa coisa de saber ser de tudo como pedem as coisas de fora. há o medo sempre em parecer inapta ou arrogante, mas há principalmente a gana em não desonrar minhas crenças por mais defasadas que estejam pois são elas que me trazem de volta ao meu quem. acontece que às vezes, influenciada por outros quens tão importantes quanto o meu, eu me deixo sair dele e acabo por ir contra aquilo que acredito. exemplo? não gosto de me embreagar, mas de beber para relaxar os músculos. domingo passado estive no bar por muitas horas e deixei passar o estado de relaxamento até me sentir um pouco tonta e dormente. cada poro dilatava, meu rosto corou e eu já não me sentia tão concreta. a noite foi boa, mas suficiente para me deixar cheia de remorso no dia seguinte. na maior parte dele eu consegui me distrair pois estava na companhia do amor, da alegria e da paz. foi quando caiu a noite que o peso de tudo se alojou em meus ombros e todas as minhas malditas paranóias foram desencadeadas. e eu me senti o pior dos seres humanos e invejei os mendigos apenas por não serem eu. esses que bebem todas as noites e de tão acostumados, não sentem mais a ressaca moral por terem se deixado passar do limite na noite anterior.